Poucos meses antes da Copa, um avião que transportava jogadores do Manchester United caiu em Munique. A equipe do Manchester era a base da seleção da Inglaterra. Ouça no link abaixo.
Mais de 70 países acompanharam a Copa.
No quarto arquivo do áudio original, intitulado aqui como “Do terceiro gol até o fim do jogo”, o narrador esportivo Oswaldo Moreira pede a atenção dos ouvintes para registrar a audiência do então presidente Juscelino Kubitschek, que estava naquele momento em Brasília, em uma das suas históricas vistorias do canteiro de obras da futura capital. Este trecho do áudio começa aos 9min e 52s do arquivo
Moreira lembra que com o presidente estava o recém empossado embaixador português no Brasil Manuel Rocheta. Aqui, cabe mais uma nota de hiperlink: Manuel Rocheta foi embaixador de Portugal no Brasil, nomeado pela então ditadura de Salazar. Foi Rocheta que em 1957, já no Brasil, recebeu uma carta inflamada do escritor e ex-embaixador do Brasil em Portugal, Alvaro Lins, para devolver a condecoração máxima do governo português, a Grã-Cruz da Ordem de Cristo. Alvaro Lins e sua família foram expulsos de Portugal pela ditadura, incidente que provocou tensão diplomática entre os dois países. Leia a carta de Alvaro Lins para Manuel Rocheta aqui.
Voltando ao jogo, Oswaldo Moreira agradeceu o empenho do presidente desportista Juscelino, que à época ordenou que fossem entregues a Confederação Brasileira de Desportos (CBD) Cr$ 12 milhões (cruzeiro) para financiar a ida da delegação brasileira para a Copa da Suécia.
O Brasil começou a ganhar a copa do mundo de 1958, na Suécia, dois anos antes, quando fizemos uma excursão à Europa. Sob o comando de Flávio Costa, ganhamos três jogos – contra Portugal, Áustria e Turquia. Perdemos dois – contra Itália e Inglaterra – e empatamos outros dois, com Suíça e Tchecoslovaquia. Esta excursão ao Velho Mundo, serviu para mostrar que era necessário profissionalizar o futebol brasileiro e que Flávio Costa não tinha mais vez como treinador todo poderoso.
No ano seguinte, sob comando de Osvaldo Brandão, conseguimos com dificuldades a classificação para a Copa de Mundo de 1958, com um empate e uma vitória apertada, por um a zero, no famoso gol de Didi, de folha seca, em cima da fraca seleção do Peru .
No início de 1958, João Havelange assumiu a presidência da então CBD, e aceitou o projeto de Paulo Machado de Carvalho, que queria montar uma comissão técnica, modernizando o comando da seleção. E assim foi feito. Tínhamos supervisor, administrador, técnico, médico, dentista, preparador físico e até um psicólogo. Isso sem falar de um observador, o professor Ernesto Santos. Com um time dentro e fora de campo o Brasil partiu para Europa em busca do tão sonhado título mundial.
Depois de dois amistosos na Itália, contra a Fiorentina e Internazionale, chegava finalmente o dia da estréia brasileira na Copa do Mundo de 1958. O adversário, a fraca seleção da Áustria, que derrotamos na excursão de 1956 por 3 a 2. O Brasil entrou campo enfrentando o nervosismo da estréia, a desconfiança de alguns e problemas na escalação da equipe.
Pelé machucado, Garrincha e Zito barrados. Joel e Dino Sani entraram como titulares. Mesmo assim o jogo foi tranqüilo. Mazola fez dois gols e Nilton Santos completou o marcador. Mesmo com a vitória, sentimos que Dida não estava bem e que Mazola, segundo os observadores, procurava fugir das jogadas mais viris.
O nosso segundo adversário foi Inglaterra. Dida machucado, ou barrado, dava lugar a Vavá. Garrincha continuava de fora e Pelé também. Foi jogo difícil. Os críticos afirmavam que Mazola se escondia e, perante um público de 40 mil espectadores, o jogo terminou zero a zero. Ainda não era a seleção com pinta de campeã.
O nosso terceiro adversário seria a seleção da União Soviética, cercada de mistérios, em virtude da guerra fria, com futebol robotizado e outras baboseiras, mas era um time forte e o Brasil precisa vencer para prosseguir na competição.Vicente Feola resolve mudar o time. O folclore diz que fora pressionado, ou “aconselhado”, por Didi, Nilton Santos e Bellini. Os três sempre negaram. Fato é que finalmente Pelé, recuperado da contusão, Zito e Garrincha entram na equipe.
A partir dali surge a seleção com pinta de campeã. Na primeira jogada pela direita, Garrincha passa por vários adversários e manda uma bomba na trave desmoronando a defesa vermelha. Logo depois, o mesmo Garrincha repete a jogada e Vavá marca o primeiro gol. E só deu Brasil. Um espetáculo. Uma exibição de gala. Vavá voltaria a marcar e a vitória seria de dois a zero.
A seleção Brasileira chegava as quartas-de-final enfrentando a seleção do País de Gales. Foi um jogo difícil. Vavá não estava em campo. Machucado, cedeu o seu lugar a Mazola. Mas a forte retranca galesa segurou o ataque brasileiro, até que, quando faltavam 15 minutos para o jogo terminar, Pelé, marca um golaço e dá a vitória ao Brasil.
No jogo seguinte enfrentamos a seleção francesa, que terminaria a Copa como o ataque mais positivo e tendo o artilheiro da competição, Just Fontaine, que formava com Kopa e Piantoni, um ataque infernal. Mas o Brasil tinha Vavá e Pelé, além de Garrincha e Didi, e apesar da péssima arbitragem do gaulês Griffits, que anulou dois gols legítimos do Brasil, vencemos por 5 a 2. Com três gols de Pelé, um de Vavá e outro de Didi. Foi uma partida emocionante. E o Brasil chegava à final da copa.
O Brasil foi pela primeira vez Campeão do Mundo, espantando o fantasma de 1950, e outras bobagens, mas incorporando algumas passagens que fazem parte do folclore do futebol. Quatro anos depois seriamos bicampeões no Chile, com a estrutura mantida, trocando apenas o treinador, Feola, que estava doente e cedeu o seu lugar para Aimoré Moreira. Mas aí, é uma outra história.
Na imagem intitulada “Final da Copa de 58″, logo abaixo das imagens da Copa, estão disponíveis 109 minutos e 21 segundos do áudio original do jogo final da Copa da Suécia, realizado em 29/06/1958, um domingo chuvoso na cidade de Estocolmo na Suécia.
A recuperação do áudio original foi feita pela equipe do Museu da Imagem e do Som, no Rio de Janeiro, a partir dos acetatos originais.
O acetato é o mesmo material do vinil popular, porém mais grosso. Ao longo das seis gravações disponíveis ouve-se o contato da agulha com o acetato, capturando o áudio para a digitalização e mixagem.
Entre e ouça.
Os áudios estão no site especial no formato mpeg3, ou, MP3.
O som do jogo vai e volta e isso não é nenhum defeito. Ná época, as transmissões internacionais, que não eram feitas por satélite, sofriam idas e vindas com muitas interferências, como variação do tempo, por isso a ondulação de som frequente.
Por fim, faltam aproximadamente 20 minutos do primeiro tempo. Não foi possível audição adequada devido a fragilidade do material original.
A capa do site especial dedicado a Copa de 1958, produzido em conjunto pelas equipes da Rádio Nacional e da Agência Brasil, veículos da Empresa Brasil de Comunicação, foi inspirada nas capas de jornais da época quer circularam no Rio de Janeiro reservando suas manchetes para a primeira conquista do Brasil em uma Copa do Mundo.A capa que serviu de inspiração principal para o site foi do jornal Última Hora, liderado pelo jornalista Samuel Wainer. Veja abaixo uma reprodução da capa original:

Notem que o jornal reservou toda a parte superior da capa para a manchete esportiva e as fotos, deslocando o logotipo para o centro com preço logo ao lado.Toda a capa foi fechada para a conquista, com a cobertura da vitória e do povo nas ruas.Para conhecer mais sobre a vida do jornalista Samuel Wainer, criador do Última Hora, visitem o verbete na Wikipedia aqui.