Rádio Nacional completa 50 anos
“Das vertentes amazônicas às coxilhas gaúchas, e dos contrafortes andinos ao litoral atlântico, Brasília fará ouvir a sua voz, a partir deste momento, graças aos possantes transmissores da Rádio Nacional, que ora inauguramos.”
31 de maio de 1958. Em frente a um barracão montado no início da Asa Sul, entre as quadras 507 e 508, os candangos davam uma pausa nas obras para ouvir o discurso do presidente Juscelino Kubitschek. Um show no final da tarde, com cantores e apresentadores da Rádio Nacional do Rio, marcou a inauguração da primeira emissora da cidade: a Rádio Nacional de Brasília (AM). Era ano de Copa do Mundo e tempo das Rainhas do Rádio.
Com a coroa naquele ano, a cantora Dóris Monteiro lembra que desde 1956 participou de diversas caravanas para a nova capital. “Era lama pura. O presidente sempre nos chamava para cantar nas festas e aniversários. Mas cantar para os candangos na inauguração da Rádio Nacional de Brasília foi especial”, lembra Dóris.
Ao lado dela, no palco improvisado, a cantora Lana Bittencourt comemorava o primeiro lugar nas paradas de sucesso de 58, com a música Little Darling. “Eu estava grávida da minha primeira filha. Foi muito emocionante cantar ao lado de Ângela Maria, Altermar Dutra, Nelson Gonçalves. A cidade estava se tornando realidade.”
Até a inauguração da Rádio Nacional, a vida cultural e o lazer dos candangos eram os auto-falantes na Cidade Livre, os circos do coronel Jorginho Suaid, do Sabuginho, do Cacareco e do Dino Santana. Com a emissora, Brasília passou a ouvir e falar para o Brasil.
“A rádio servia também para mandar recado para a família em outros estados, avisar que estava voltando para buscar mulher e filhos. Um dos locutores, Clementino Luz, escrevia e lia as cartas dos candangos. Era um cronista de mão cheia”, conta o jornalista Adirson Vasconcelos, na época correspondente dos Diários Associados.
Ainda em 1958, o primeiro médico da cidade, Edson Porto, apresentava um programa na emissora com dicas de saúde para as mães. Incentivava as candangas a amamentar e hidratar os bebês, que sofriam em meio a poeira. “As enfermeiras também davam dicas de alimentação. Isso facilitava muito o nosso trabalho de prevenção a doenças.”
Nos anos seguintes, a Rádio Nacional de Brasília acompanhou o crescimento da cidade, deu voz e espaço aos músicos locais, cobriu mudanças de governos, período militar, redemocratização, Constituinte e manifestações populares.
Cinqüenta anos depois de inaugurada, segue ao lado dos candangos e brasilienses, oferecendo música e informação de qualidade. Neste hotsite, os profissionais da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), artistas, pesquisadores e ouvintes lembram do passado e projetam o futuro.


